21.7.17

À conversa num domingo quente...


Ontem, na noite sufocante, 
Procurei a lua para conversar...
Não estava e achei estranho:
 Face ao azul sombrio e quente
Encarei esse céu de minúsculos sóis iridescentes
Que os grilos acentuavam ao cantar. 


Busquei, no éter quente de abafar,
Se a lua  viera passear na noite
E ali estava... quedada, triste, a suspirar...
Que me condoi de vê-la tão dorida.


Procurei a sua mão para a acalentar...
E de pouco valeu o gesto...
Era a sonhar. 
Menosprezou o contacto sideral, 
Ensimesmou-se mais e mais ...
Ocultou o brilho num limbo virtual 
E recusou afecto e confiança.


De há muito me desabituara de procurar a lua 
Envolta em seu sudário de leite e noctívagos sussurros.
Ainda que a medo, preferia ir encarando o sol 
Perigoso, eu sei, mas mais real- 
- Como num contacto pele a pele 
Que só engana se se tornar banal.


Esse tipo de  mensagem corporal
Seria inconcebível com a lua...
Tal como a carícia dum beijo universal 
Cabe na concha  miniatural da mão 
Onde mansa e leve pousou a borboleta: 
 Doce penugem a voejar 
Até onde a saudade alcança...

E todo o meu muito amor descansa.