21.1.12

Se a vidraça chora...


Os pingos da chuva são choro na vidraça
e o cinza claro do céu  pasmou
a ver tudo que passa.

E nada se passa. Só o frio do inverno
e o húmido da manhã clara
tão ausente do sol...

E vem na claridade baça
aquela vontade de te abraçar
de ouvir a tua voz pausada
de olhar dentro do teu olhar curioso
de observar o ricto malévolo
da tua boca breve...
de ouvir-te dissertar
sobre tudo, pouco sobre ti...

Em mim são rasgos de carinho
nascido da minha força de amar
nos secretos escaninhos dum sentir
que algures nasceu 
para te sentir sonhar...

Na vidraça tremulam pingos de amor e de verdade.
17.01.2012