11.3.12

Azul nítido...


Hoje o céu não tem rugas...lá. Aí.
Aqui... existem e encrespam
em cachões de água fervendo
que se acumula nos olhos 
e não deixam olhar

Fecham-se as pálpebras cansadas 
à claridade crua do dia
e o soluço é baixinho 
consciente de que se está a morrer
 devagarinho
na solidão dia a dia mais só
e consentida

Tristes 
desolados soluços
 choram baixinho
um fio de água de pedra
a conta-gotas em cada orelha

A depressão ronda
quase se apalpa
e não há coragem em afastá-la

Apenas vagos anticorpos
de uma felicidade sonhada
nos momentos breves 
de uma ilusão de outrora
nesse outrora 
ora tão perdido no tempo
ou que foi embora

Não há quase saudade
mas um cansaço de sonhar
temendo o embaraço
de sempre acordar

Com rugas na alma
há um corpo estranho
que se adensa como sombra fétida
e cobre de mais tristeza a solidão
num adeus à vida e à claridade
em que tudo foi suportado
até a crueldade
e hoje sobram motivos
em não suportar viver.

05.02.12