8.1.13

veneno azul...


Dormias.
Na noite fria senti sede.
Ergui-me para beber
Mas a água da fonte 
que supunha pura
era veneno
e corroeu-me as entranhas.
Pensei que morria
por que me enganara na fonte
e que ia causar-te transtorno...
Ainda me eras alguém estranho.

Afinal precisava só de morrer
e voltar à vida.
Um luar de Dezembro
fez-se leite puro para acalmar 
o ácido corrosivo
nascido dentro de mim
só porque sentira sede.

Houve sabor a algas secas
em restos de amarga acidez 
que perduraram
num prenúncio 
de outras noites e outros dias.

11.12.012-av.