2.3.14

Máscara do entrudo...


Saído à rua com a máscara do entrudo
a ver passar os foliões engravatados
entreguei ao vento lasso um cabelo
 encarnado
símbolo vermelho de desespero apaixonado.

Vaiei a chuva, o sol escondido, as ilusões desfeitas.

No alto, um passarão negro 
crocitante 
voava do leste
cortando as vagas do vento 
sussurrante 
lembrando muito o mar em maré vaza.

Nítida, ouvi a tua voz ríspida,
 cortante
a imprecar essa estranha força de morte e solidão
no dia ingrato em que violência e fome
assolavam em temor um povo irmão.

E ainda muito ao longe 
 reconheci o som de uma outra voz enfraquecida
enquanto a tarde caía
derramando cinza, lodo, podridão

Esquecera... já não reconhecia... mal te ouvia...

Em delírio, ululava a multidão.

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